Essa chita, despojada de cor e reduzida ao binário brutal do preto sobre branco, não é apenas um animal: é um manifesto. No grande safari da cidade moderna, corre-se sem sair do lugar, uma velocidade feita de imagem e ruído, mais desempenho do que destino. Aqui, a chita é tanto revolta como resignação, uma sombra estilizada a escorrer lentamente no betão da apatia coletiva. Os seus contornos agora líquidos recordam que tudo – até o selvagem – pode ser domado. O olhar da chita, ausente de medo ou de esperança, parece perguntar: para que serve a velocidade se o mundo à volta é uma jaula? Cada gota que escorre denuncia a farsa: por detrás da celebração da liberdade selvagem, esconde-se um sistema que a absorve até a última centelha do instinto. Nesta savana urbana, nada escapa ao olhar do consumo – nem a promessa de fuga.
"Neste mundo, até a chita foge apenas para ser logo apanhada – não pela caça, mas pelos olhares vazios."
