Após o notório interesse pela fauna bovina, esta quinta incursão no imaginário ufológico eleva a fasquia e vira as suas atenções para o topo da cadeia alimentar. Parece que, depois de estudarem as nossas vacas, os visitantes decidiram que era altura de recolher uma amostra das coisas bípedes (nós).
A composição é uma pequena coreografia de tráfego interplanetário. Enquanto duas naves passam em alta velocidade, indiferentes à operação em curso, uma terceira executa a tarefa com uma eficiência quase burocrática. O feixe de tração, um cone de luz sólida, aprisiona uma silhueta humana universal, de braços abertos num gesto que oscila entre a rendição e o puro pânico. O quotidiano — neste caso, a superfície imaculada de um frigorífico — torna-se o palco para este micro-drama cósmico, um pequeno decalque em vinil de terror suburbano servida com uma dose de humor negro.
É fundamental compreender que o que se adquire não é uma imagem única, mas um kit de narrativa visual. As naves, o feixe e o abduzido são fornecidos como elementos individuais, convidando o proprietário a assumir o papel de encenador. A cena pode ser montada como sugerido, ou reconfigurada para contar outras histórias: uma perseguição? Uma tentativa de fuga? As dimensões apresentadas referem-se à disposição de referência, mas a tela — seja ela uma parede, um portátil ou a porta do seu eletrodoméstico — dita as regras do encontro.
“Ninguém acreditaria (...) que este mundo estava a ser observado atentamente por inteligências superiores à do homem e, no entanto, tão mortais como a sua.” — H. G. Wells, "A Guerra dos Mundos"