Se as três incursões anteriores no tema dos OVNIs se focavam na sua função como mensageiros personalizáveis, esta quarta versão abandona a diplomacia e mergulha de cabeça num dos mais célebres capítulos do folclore ufológico: a abdução bovina. A questão deixa de ser "o que nos querem dizer" para passar a ser "o que raio andam a fazer com o nosso gado?!".
O design é uma narrativa em si mesmo. A nave, um modelo clássico com cúpula e luzes de presença, paira com uma autoridade inquestionável, projetando o seu feixe de tração. Este não é um mero cone de luz, mas um sólido de escuridão que funciona como um palco, recortando a silhueta da sua protagonista. E que protagonista: uma vaca, suspensa a meio da levitação, aparentemente mais confusa do que aterrorizada, como se este tipo de interrupção fosse uma maçada recorrente na sua rotina de pastoreio.
A cena é um pequeno teatro do absurdo, um momento de surrealismo rural que transforma qualquer parede numa janela para uma descarada operação de recolha de gado. O humor não reside no pânico, mas na naturalidade com que o ato é apresentado. Estes visitantes não parecem ter intenções malévolas; são mais como biólogos de campo com métodos pouco ortodoxos ou, talvez, meros curiosos com um inexplicável fascínio pela pecuária terrestre (ou assim queremos acrditar). É um decalque para quem entende que, se há vida inteligente lá fora, é perfeitamente possível que ela tenha um péssimo sentido de humor...
“Para eles, não é uma abdução. É take-away.” — Anónimo