Na contínua exploração do imaginário extraterrestre, esta terceira variação sobre o tema do OVNI abandona a nostalgia explícita para abraçar uma estética mais depurada e veloz. Enquanto o léxico oficial evolui de OVNI (Objeto Voador Não Identificado) para o mais sóbrio FANI (Fenómeno Aéreo Não Identificado) — um aportuguesamento do inglês UAP ("Unidentified Aerial Phenomenon") —, o design desta nave reflete essa mesma sofisticação.
Longe do ingénuo disco voador dos anos 50, o que temos aqui é um objeto mais estilizado e aerodinâmico. A sua fuselagem elíptica e as ranhuras verticais que lhe percorrem a lateral sugerem uma tecnologia avançada e um design pensado para a performance, não para o mero espanto. A sua inclinação confere-lhe um dinamismo cinético, como se tivesse sido capturado em pleno voo rasante, a cortar o espaço aéreo da nossa sala de estar.
É precisamente nesta roupagem de alta tecnologia que a sua função se revela deliciosamente subversiva. A nave não transporta pequenos homens verdes ou mensagens de paz universal; funciona como um transportador cósmico para recados terrestres ^_^. A possibilidade de personalizar o texto que a acompanha transforma o seu proprietário no controlador da missão, delegando aos seus misteriosos pilotos a tarefa de anunciar desde uma máxima inspiradora a um recado para comprar pão. A peça é, no fundo, a derradeira apropriação do desconhecido: domesticá-lo ao ponto de o transformar num estafeta de luxo... ^_^
“A ausência de evidência não é evidência de ausência.” — Carl Sagan
