E chegamos, à quinta e, arrisco dizer, até ao momento a mais visceral manifestação de "O olhar". Esta versão mergulha num registo que é simultaneamente mais sombrio e, paradoxalmente, mais glamoroso. Já não é um olhar que se estuda, mas um drama que se encena na parede, qual quadro de um filme noir pintado em sépia (ou, neste caso, em preto e branco).
A figura, uma mulher de cabelo denso e ondulado que flui como uma cascata noturna, evoca imediatamente a estética gótica ou talvez uma versão mais sombria e sensual das musas de Hollywood dos anos 40. A sua postura é de uma elegância misteriosa, mas é na face que reside detalhes sombrios. Os olhos, adornados por pestanas dramáticas e sobrancelhas arqueadas, estão vazios.
Uma substância escura, espessa escorre dos lábios entreabertos, formando um rio negro que se derrama pelo pescoço e peito. Não é o choro da versão anterior, nem o mero batom borratado; é algo mais primordial, mais simbólico. É como se a própria quintessência de um segredo obscuro, estivesse a ser libertada. Há quem possa ver nisto uma referência vampiresca, outros talvez uma representação da vertigem da paixão, ou mesmo um comentário sobre a beleza da decadência.
Este não é um item para o colecionador de bibelots fofinhos, mas para o apreciador do drama estético, para o anfitrião que deseja que os seus convidados se debatam com questões existenciais enquanto bebem um copo de vinho tinto. É uma afirmação de estilo, um convite à reflexão sobre a escuridão que habita em todos nós, mas que aqui é apresentada com uma elegância que a eleva a arte. Perfeita para um recanto de leitura com pouca luz ou para uma parede que já testemunhou muitas paixões e segredos inconfessáveis.
"O mistério é a coisa mais bela que podemos experimentar. É a fonte de toda a verdadeira arte e ciência." - Albert Einstein.
Observação : Este decalque é apenas realizado na cor Preta.
