Depois de uma primeira abordagem mais cerebral e fragmentada ao complexo tema do "olhar", eis que nos deparamos com a segunda versão, que, convenhamos, é tudo menos subtil. Esta já não é uma divagação sobre a arte de ver, mas antes uma declaração visual categórica. Temos aqui, em gloriosa silhueta preta, o que poderíamos designar como a quintessential figura feminina de um imaginário que tanto bebe da fonte das pin-ups clássicas quanto das heroínas de banda desenhada dos anos 50 e 60.
A imagem é inequívoca: uma mulher de cabelo longo e esvoaçante, busto generoso emoldurado por um espartilho ou peça de vestuário similarmente reveladora, e um "olhar" que, embora estilizado, não deixa de ser desafiador, ou talvez apenas convenientemente fotogénico. As linhas são limpas, o contraste é máximo – preto e espaço negativo –, o que garante que esta figura se imponha, onde quer que seja colada.
Este decalque é um relíquia do tempo em que as carrinhas de pão-de-forma eram autênticas galerias de arte sobre rodas, e os "cromos" eram as figuras femininas que se viam nos jornais ou nas caixas de fósforos. É a nostalgia do testosterónico, do tempo em que o "sex sells" era uma verdade inquestionável e a figura feminina, na publicidade e nas autoestradas, era sobretudo um ornamento, um convite ao devaneio. Não é tanto sobre o "olhar" que a figura *tem*, mas o "olhar" que ela *provoca*. É uma piscadela de olho aos clássicos, aos velhos tempos em que os carros eram para andar na lama e as mulheres para serem desenhadas com curvas impossíveis. É, no fundo, uma peça de design que nos transporta para um universo onde a vida era mais simples, os pneus mais largos e as intenções menos dissimuladas...
"Alguns olhares falam mais alto que mil palavras, especialmente quando estão em silhueta na porta de um carro." - Anónimo.
Observação : Este decalque é apenas realizado na cor Preta.
