"O Grito" — segunda incursão neste tema — abandona qualquer vestígio de contenção estética. A figura, reduzida a uma silhueta negra, parece dissolver-se na própria parede, como se o acto de gritar fosse também o de desaparecer. A boca aberta, os olhos cerrados, o pescoço que escorre (em tinta ou sangue) — tudo aponta para um momento de colapso, não apenas emocional, mas ontológico.
Este grito não é apenas som — é matéria. É a manifestação física de uma ruptura interna que já não encontra lugar na linguagem. O corpo não está ali para ser visto, mas para ser sentido como ausência, como vestígio de algo que já não se sustenta.
Filosoficamente, este grito é o reflexo da angústia existencial. Não é o grito do medo imediato, mas o da consciência que se confronta com o vazio — o grito que emerge quando se percebe que o mundo não responde, que o sentido não é dado, que o silêncio é estrutural. É o grito de quem já não espera salvação, mas ainda resiste ao apagamento.
"Gritar é lembrar ao mundo que ainda se respira." — Anónimo
Observações:
- Este decalque autocolante em vinil é apenas realizado na cor preta.