Esta segunda versão, sob a mesma designação de “Ilhas Desertas”, abandona a iconografia tropical da sua predecessora para explorar uma paisagem de cariz continental e alpino, redefinindo o conceito de isolamento e aventura. A composição, novamente executada como uma silhueta monocromática, apresenta uma cena natural de grande serenidade e poder visual, concebida para funcionar como um emblema de identidade para entusiastas do ar livre e da exploração.
O elemento central da peça é uma montanha de pico agudo e perfil icónico, cuja forma estilizada evoca os grandes maciços rochosos que desafiam os alpinistas e dominam o imaginário da natureza selvagem. Atrás do cume, uma nuvem solitária e de contornos suaves flutua, adicionando uma subtil noção de altitude e atmosfera. A base da montanha alarga-se numa faixa de terra coberta por uma floresta densa, representada por um aglomerado de árvores que flanqueiam a elevação principal, sugerindo uma paisagem vasta e primordial.
Na sua metade inferior: uma réplica distorcida e invertida da paisagem terrestre, criando um efeito de reflexo perfeito num corpo de água absolutamente imóvel, como um lago espelhado. Este recurso à simetria distorcida infunde a cena com uma qualidade de silêncio profundo, de quietude e de pureza intocada. O eixo de simetria horizontal, que funciona como a linha de água, divide o mundo real do seu reflexo, criando um espaço visualmente harmonioso e meditativo.
A silhueta completa assume uma forma alongada e coesa, quase como um brasão ou um ícone heráldico moderno. Aplicada a um veículo de todo o terreno, como se ilustra, transcende a sua função decorativa para se tornar uma declaração de princípios. Não representa um destino específico, mas sim um arquétipo: o da natureza remota como santuário, um lugar de desafio e recolhimento. A “ilha deserta” aqui não é de areia e mar, mas de rocha, floresta e água doce — um reduto de tranquilidade acessível apenas àqueles que se atrevem a procurá-lo.
“As montanhas chamam por mim e eu devo ir.” — John Muir
