Ah, as gasolineiras. Esse oásis de progresso moderno que, paradoxalmente, nos seca a carteira mais depressa do que o deserto do Saara nos suga a água por um cantil furado. Este autocolante, que contrasta vivamente com o fundo escuro, oferece-nos uma interpretação visual no mínimo... pungente. Emoldurado numa forma orgânica, quase como uma bolha de pensamento que começa a derreter sob o peso da realidade, surge a icónica silhueta de uma bomba de combustível.
Contudo, a surpresa, e o humor negro, reside na figura humana que a acompanha. Longe de estar a abastecer um veículo, o indivíduo surge a empunhar a mangueira do combustível como se de uma arma se tratasse, apontando-a resolutamente à própria cabeça. Uma metáfora visual, certeira e implacável, para a dor de cabeça existencial que os preços dos combustíveis infligem ao comum dos mortais. É um "hazard symbol" contemporâneo, sem dúvida, um alerta gráfico para os perigos muito reais da dependência petrolífera e das suas cotações lunares. Não é um convite ao desespero, mas um espelho mordaz e elegante da nossa resignação....
"O que não nos mata, enche-nos o depósito... e a conta a pagar." – Anónimo
