Ah, a cozinha. O templo moderno da alquimia gastronómica, outrora um espaço de suor e tachos barulhentos, hoje um palco de design minimalista e bancadas imaculadas. E, para que ninguém se esqueça do propósito fundamental deste santuário, surge esta intervenção: um autocolante em vinil com uma panóplia de "Verbos de Cozinha". É uma espécie de dicionário visual, um recordar perpétuo das ações que, em teoria, se deveriam desenrolar ali... ^_^
O que temos perante nós é uma composição tipográfica audaciosa, quase como um mural de instruções, uma miríade de verbos culinários – "FLAN", "DRIZZLE", "SAUTEE", "SLICE", "BRAISE", entre outros – surge em diferentes fontes, tamanhos e pesos. Há o serifado elegante, o sans-serif robusto, o itálico fluído, e até o mais elaborado, com contornos que evocam a era das tipografias artesanais. É um caldeirão visual, uma salada de estilos que, surpreendentemente, funciona, criando um peso visual dinâmico e uma cadência que guia o olhar...
Do ponto de vista de um decorador de interiores, esta peça não é apenas funcional; é performática. Questiona-se: é um guia prático para os esquecidos, uma espécie de aviso subliminar para "cortar a cebola, ó animal!"? Ou será uma celebração artística da culinária, elevando o ato de "peneirar" ou "estufar" a um estatuto de arte de parede? Provavelmente, é um pouco dos dois. É a tentativa de injetar alma e instrução num espaço que, por vezes, se torna demasiado estéril...
"Cozinhar é como o amor. Deve ser feito com abandono, ou não se deve fazê-lo de todo." – Harriet Van Horne
