Este design transporta a ilustração botânica para o domínio do minimalismo gráfico. O que vemos é a silhueta de um único ramo de groselheira, apresentado na sua verticalidade natural, como se brotasse do próprio chão. A forma é inconfundível para quem a conhece: as folhas recortadas, semelhantes às da videira, e os cachos de pequenos frutos esféricos pendendo dos caules. A escolha de representar a planta como uma sombra pura, um recorte a negro, despoja-a de cor e textura, forçando o observador a concentrar-se exclusivamente na sua estrutura e essência.
A groselha, do género Ribes, é um fruto modesto, mais associado a jardins caseiros e compotas do que a grandes arranjos florais. A sua presença aqui é uma celebração do quotidiano e do familiar, uma peça de memória afetiva e culinária transformada em arte de parede. É uma escolha que valoriza a beleza nas formas mais discretas da natureza.
A silhueta não é apenas a forma negra aplicada; é também o recorte que ela impõe à parede. Os espaços vazios entre os bagos e através das folhas são tão essenciais para a definição da imagem quanto a matéria do vinil. O olho do observador é convidado a preencher os detalhes, a imaginar a tridimensionalidade da planta. É um exercício de contenção que prova que a ausência pode ser tão expressiva quanto a presença, criando uma peça que respira visualmente e se integra no espaço sem o sobrecarregar...
"A arte não reproduz o visível; ela torna visível." — Paul Klee
