Uma televisão inclinada dentro de um caixote do lixo: não há subtileza aqui — há um ultimato. O pictograma é deliberado, frio, quase administrativo, como a sinalética de um aeroporto: reconhecemo-lo em décimos de segundo e, nesse instante, a mensagem já fez o serviço. A ironia é seca: se o ruído mediático ocupa a cabeça, a reciclagem passa a chamar-se higiene mental.
O desenho trabalha com a gramática da intervenção urbana: contornos nítidos, figura sobre fundo, leitura imediata. A televisão com antenas é um anacronismo útil, um atalho visual para “media” que dispensa explicações. Enfiá-la no lixo não é um gesto de vandalismo, é crítica ao automatismo com que consumimos “narrativas”, sobretudo quando a histeria de tempos bélicos transforma informação em munição. Aqui, o humor é negro e funcional: uma instrução pública disfarçada de ícone.
Em termos formais, o contraste forte garante impacto à distância e estabilidade em diferentes escalas. Sendo vinil recortado, mantém arestas limpas e adere a superfícies lisas — paredes pintadas, portas, vidro, metal — desde que preparadas. Por defeito, existe em branco ou preto; outras cores podem ser solicitadas para ajustar o diálogo com o ambiente (um branco em parede escura acusa presença; um preto sobre fundo claro torna-se aviso). A simplicidade da composição permite ampliar ou reduzir sem perder legibilidade, e o gesto gráfico permanece incisivo mesmo em formatos pequenos.
É uma peça que escolhe o lado do incómodo, não o da decoração. Faz perguntas silenciosas: o que entra pelos nossos olhos é escolha ou programação? E, se a resposta não agrada, a iconografia já propõe o destino...
