A decoração de interiores raramente se assume como um ato de jardinagem, mas esta composição subverte essa premissa com uma simplicidade desarmante. Aqui, o coração — o mais universal dos símbolos afetivos — deixa de ser um mero pictograma para se transformar numa espécie de flora imaginária, um campo de afetos que brota diretamente da parede.
O design joga com a metamorfose. Dotado de um caule longo e sinuoso, cada coração emerge como uma flor estilizada, crescendo em diferentes alturas e com inclinações subtilmente distintas. A ausência de folhas ou outros detalhes botânicos concentra toda a atenção na pureza da sua forma, criando um jardim que é, na sua essência, puramente conceptual. Não se trata de replicar a natureza, mas de lhe pedir emprestada a sua lógica de crescimento para dar corpo a um sentimento.
O verdadeiro alcance da peça reside na sua interatividade. O que se adquire não é uma imagem estática, mas um kit de jardinagem emocional composto por dez corações individuais. Esta modularidade convida à curadoria pessoal, permitindo que cada um componha o seu próprio ‘canteiro’ de afetos, uma pequena plantação que pode crescer de forma densa e concentrada ou espalhar-se pela parede com uma anarquia subtil. É importante notar que as dimensões apresentadas servem apenas como referência para uma disposição semelhante à da imagem; a liberdade criativa, no entanto, é total...
“Devemos cultivar o nosso jardim.” — Voltaire