Se a iconografia dos fenómenos aéreos não identificados se debate hoje entre a sigla clássica OVNI (Objeto Voador Não Identificado) e o mais recente e burocrático FANI (Fenómeno Aéreo Não Identificado) — um aportuguesamento do inglês UAP ("Unidentified Aerial Phenomenon") —, este design não tem dúvidas sobre a sua linhagem. Remete-nos diretamente para o imaginário clássico, para a era dourada dos discos voadores, mas com uma dinâmica visual renovada.
Apresentada numa perspectiva em contra-picado, a nave não se limita a pairar; inclina-se, como que a meio de uma manobra, conferindo à imagem uma sensação de movimento e de presença iminente. A sua silhueta é limpa, as luzes na cúpula são discretas e a base circular sugere uma tecnologia que dispensa explicações. É uma representação que, despida de qualquer ambiguidade, se assume como um arquétipo.
O contraponto a esta presença quase solene é a função que lhe é atribuída: a de ser um veículo para a mensagem do seu proprietário. A frase "Tua Mensagem Aqui!", disposta num arco que acompanha a inclinação da nave e numa tipografia que evoca as máquinas de escrever, transforma este emissário cósmico numa espécie de post-it interestelar. A peça torna-se uma plataforma semiótica, onde o extraordinário — a visita de uma inteligência extraterrestre — é domesticado e posto ao serviço da comunicação terrena. É um convite à ironia, permitindo que a mais banal das frases adquira, por momentos, uma autoridade vinda de outro mundo... :)
> “Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no Universo, ou não estamos. Ambas são igualmente aterradoras.” — Arthur C. Clarke