A silhueta é inconfundível: um gato de postura aprumada, quase régia, a olhar para algo que nos escapa. O que perturba a normalidade desta cena doméstica é o chapéu de pontas, ligeiramente torcido, que o felino usa com uma naturalidade que desarma. Não há aqui o folclore apressado do Dia das Bruxas; este animal parece antes um académico das artes arcanas, um observador silencioso que detém o conhecimento de feitiços que nunca iremos compreender. A elegância da composição é notável, sobretudo no detalhe da cauda, revelada em espaço negativo como um "S" caligráfico que corta a mancha negra do corpo.
Sendo a terceira versão em torno desta figura, nota-se um apuramento da forma, uma destilação do conceito até ao seu núcleo. A peça remove o gato preto da superstição e eleva-o a um estatuto de guardião ou de familiar, no sentido mais clássico do termo. Concebido com uma versatilidade notável, este conjunto foi imaginado para superfícies compactas, como a tampa de um portátil, onde funciona como um cúmplice discreto do nosso quotidiano. No entanto, a força do seu conceito minimalista permite que seja ampliado para dimensões muito maiores. Numa parede, transforma-se numa presença enigmática, uma sentinela que marca um ponto de partida ou de chegada. Se desejar este design em grande formato, basta entrar em contacto para explorar outras dimensões...
"Nos olhos de um gato, vemos o reflexo de um mundo que já não nos pertence." — Anónimo
