Ah, eis que surge, na alvura imaculada da parede de uma qualquer sala portuguesa, qual miragem de um tempo menos complicado, um Pequeno Feiticeiro. E de que se trata? Nada mais, nada menos, que um gato. Um gato em silhueta, é certo, mas um gato, nonetheless. Não um gato qualquer, bem entendido, mas um exemplar felino que, pela ousadia do seu toucado, se eleva ao estatuto de arcano menor. Ostenta na cabeça um chapéu bicudo, daqueles que as bruxas de antanho usavam, ou talvez os aprendizes de feiticeiro, antes de dominarem os feitiços mais complexos e decidirem que a moda gótica não era assim tão má. A fivela, aliás, não deixa margem para dúvidas: este não é um chapéu de brincar ao faz de conta, este é um chapéu com intenções.
O olhar do felino, curiosamente, não é de quem planeia conjurar uma tempestade de areia na sala ou transformar o comando da televisão numa varinha mágica. Pelo contrário, tem uma doçura quase infantil, uns olhos grandes e redondos que parecem questionar a existência do universo ou, mais provavelmente, onde raio está a taça da ração. E as estrelas? Ah, as estrelas. Cinco pontinhos de luz que flutuam ao redor do nosso protagonista felino, talvez indicando o rasto de um feitiço recém-lançado, talvez meramente servindo como um elemento decorativo que grita 'magia!' sem ter de recorrer a caldeirões borbulhantes ou sapos enfeitiçados. É a magia do subtil, do que se insinua sem se impor, do que nos faz sorrir sem percebermos bem porquê. ^_^
Este decalque é a prova viva de que a nostalgia pela fantasia e por uma certa inocência ainda reside nos recantos das nossas casas. É o objeto ideal para quem tem saudades dos desenhos animados de sábado de manhã, ou para quem secretamente acredita que o seu próprio gato, aquele que dorme doze horas por dia e só acorda para pedir comida, tem uma vida secreta de aventuras místicas após o crepúsculo. Não é um produto que promete a revolução estética, mas antes uma quietude charmosa, um piscar de olho cúmplice a quem o observa. Serve para nos lembrar que, por vezes, a felicidade está nas coisas mais simples, nas formas mais puras, e na capacidade de dar um chapéu de feiticeiro a um gato sem que este se importe. Uma peça de sinalética, sim, mas daquela que aponta para um universo paralelo, um universo onde os gatos mandam e os humanos apenas observam, divertidos e um pouco invejosos...
"A simplicidade é o último grau da sofisticação." - Leonardo da Vinci (embora provavelmente não estivesse a pensar em gatos feiticeiros na altura).