Este design funciona como um manifesto doméstico, uma espécie de constituição familiar afixada na parede. A sua estrutura é a de uma lista, uma declaração de princípios que estabelece um código de conduta para a micro-sociedade que habita um lar. A escolha tipográfica é deliberadamente neutra: uma fonte sans-serif, limpa e sem adornos, que permite que o peso e o significado residam exclusivamente nas palavras, e não na forma como são desenhadas. A mensagem é direta, sem necessidade de artifícios estilísticos.
O conteúdo do texto é um interessante equilíbrio entre a aspiração e a realidade. Não se trata de um rol de virtudes inalcançáveis, mas de um contrato social que assume a imperfeição como ponto de partida: “cometemos erros” e “pedimos desculpas” surgem a par de “somos respeitosos” e “dizemos sempre a verdade”. É o reconhecimento de que a harmonia não nasce da perfeição, mas da gestão honesta das falhas. Cada linha é uma cláusula de um acordo de convivência, que transforma as paredes de uma casa no enquadramento de um projeto de vida em comum.
Disponível em português e inglês, a peça permite que cada família escolha o idioma que melhor serve de língua franca para os seus afetos e valores, a linguagem que mais naturalmente ecoa no seu quotidiano.
"A casa deve ser o estojo da vida, a máquina de felicidade." — Le Corbusier