Num exercício de "arqueologia" musical, este design resgata a silhueta icónica da cassete áudio, convertendo-a num manifesto visual. A representação é depurada, quase heráldica, focando-se nas formas que definem a memória coletiva de um objeto hoje obsoleto: os dois rolos dentados, a pequena janela de visualização e a estrutura retangular que a encerra. Não é um retrato fiel, mas sim o extrato de uma ideia...
Da base desta forma geométrica, como se fosse a própria fita magnética a desenrolar-se, brota a palavra “música”. A escolha de uma tipografia caligráfica, fluida e orgânica, cria um contraste deliberado com a rigidez mecânica do objeto. É a fusão simbólica entre o contentor e o conteúdo, a máquina e a alma. Mais do que simples nostalgia, a peça evoca o ritual da escuta e da partilha numa era pré-algoritmo, onde a curadoria de uma mixtape era uma declaração de afeto e um demorado ato de dedicação...
"A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas." — Bono
