Esta peça de design opera como um engenhoso exercício de "trompe-l'œil", um artifício visual que joga com a percepção do espaço, do volume e da própria natureza do objeto decorativo. O que se apresenta é a silhueta inequívoca de um lustre de teto de estilo clássico, cuja presença imponente é evocada através de uma representação puramente bidimensional.
O design captura com fidelidade os elementos ornamentais que caracterizam este tipo de candeeiro. Vemos o eixo central, com os seus contornos torneados, do qual emanam braços curvilíneos e graciosas volutas em ferro forjado. Cada braço culmina no que seria o suporte para uma vela ou lâmpada. A sua forma é destilada à sua essência gráfica, uma mancha monocromática que retém toda a informação visual necessária para que o nosso cérebro a complete e lhe atribua peso, materialidade e função. Suspensa por uma corrente igualmente silhuetada, a ilusão de um objeto pendente é completa e convincente.
O cerne da sua proposta conceptual reside na contradição que encerra. Um objeto historicamente associado ao peso, ao luxo, à opulência e à tridimensionalidade do vidro e do metal é aqui reduzido a uma película de vinil, leve e sem massa. É a opulência despojada da sua substância, a grandeza transformada num fantasma gráfico.
Ao ser aplicado numa parede, junto ao teto, este autocolante não se limita a decorar; ele encena uma performance. É um comentário irónico sobre a decoração e o estatuto, permitindo uma apropriação lúdica de um símbolo de riqueza, sem o custo ou o compromisso do objeto real. É um simulacro que, com um piscar de olho, questiona a diferença entre ter um lustre e ter a "ideia" de um lustre...
“O simulacro nunca é o que esconde a verdade — é a verdade que esconde que não há nenhuma. O simulacro é verdadeiro.” — Jean Baudrillard