Este design apropria-se de um dos mais reconhecíveis artefactos da cultura visual do século XX: o cartaz de propaganda britânico “Keep Calm and Carry On”. Na sua génese, era um apelo estatal à resiliência perante a adversidade da Segunda Guerra Mundial, embora nunca tenha sido massivamente utilizado na altura. Décadas depois, redescoberto, tornou-se um fenómeno global e um modelo para inúmeras paródias e variações...
Aqui, a fórmula é recontextualizada para o domínio da fé. A Coroa de Tudor, símbolo da monarquia e do poder terreno, é substituída pela cruz cristã, ícone do sacrifício e da redenção. A tipografia, uma sans-serif pesada e sóbria, mantém a solenidade declarativa do original, mas a mensagem é transmutada. O apelo à calma deixa de ser um dever cívico para se tornar uma consequência da fé: a tranquilidade que advém da certeza do amor divino. É um curioso exemplo de sincretismo cultural...
"Ama e faz o que quiseres." — Santo Agostinho
