Este design funciona como um paradoxo visual: uma janela que, em vez de nos mostrar o exterior, o traz para dentro. A silhueta de uma janela de batentes, escancarada, não enquadra uma paisagem, mas serve de portal para um bando de pássaros que irrompe pelo espaço. Dois maiores, pousados no parapeito, parecem presidir a esta pacífica invasão, enquanto outros, mais pequenos, esvoaçam em total liberdade, indiferentes à fronteira entre o dentro e o fora.
É uma peça que responde ao anseio pela natureza no contexto urbano, um simulacro de liberdade para quem vive rodeado de betão. Ao ser aplicado numa parede, o decalque cria uma ilusão, uma abertura para um mundo onde o ar circula e a vida selvagem reclama o seu lugar. O tratamento em silhueta, de um negro (ou branco) absoluto, retira à cena qualquer distração, focando a atenção no movimento e no simbolismo puro: a permeabilidade das fronteiras entre o nosso espaço íntimo e o mundo lá fora. Um poema visual sobre a liberdade e a evasão...
"A esperança é a coisa com penas – que pousa na alma – e canta a melodia sem palavras – e nunca pára – de todo." — Emily Dickinson
