Esta não é uma daquelas frases motivacionais adocicadas que se encontram em postais de felicitações. Esta é uma declaração crua, visceral, que carrega o peso da experiência e a luz da esperança. A citação, frequentemente atribuída à escritora George Eliot (pseudônimo de Mary Ann Evans), diz: “It is never too late to be what you might have been”. Em português, uma tradução fiel seria: "Nunca é tarde demais para ser aquilo que poderíamos ter sido".
A mensagem é um poderoso antídoto contra o veneno do arrependimento. Quantos de nós vivemos assombrados pelos fantasmas das oportunidades perdidas, dos talentos não cultivados, das vidas não vividas? Esta frase é uma absolvição. É a permissão para largar o fardo do passado e reconhecer que o potencial humano não tem prazo de validade. A pessoa que "poderíamos ter sido" não morreu; está apenas adormecida, à espera do momento certo para ser acordada.
O design tipográfico deste decalque é uma de contradição e harmonia. As palavras-chave "NEVER TOO LATE" e "WHAT YOU" são compostas numa fonte pesada, robusta, que parece gotejar, como se estivesse a derreter sob pressão ou a dissolver-se com o tempo. Esta estética "grunge" evoca a luta, o peso dos anos, a dificuldade da transformação. Em profundo contraste, as restantes palavras fluem numa caligrafia elegante e clássica, representando a esperança, a aspiração, a beleza do "eu" potencial.
O design não nos mente. Não nos diz que a mudança é fácil. Pelo contrário, mostra-nos que o processo de nos tornarmos quem realmente somos pode ser duro e confuso (as letras a derreter), mas que o objetivo final é de uma beleza e graciosidade inegáveis (a caligrafia fluida). Colocar este autocolante numa parede é um ato de coragem. É um lembrete diário de que, apesar das cicatrizes e do tempo que passou, a nossa obra-prima pessoal ainda está à espera de ser concluída.
"Eu não sou o que me aconteceu, eu sou o que escolho tornar-me." — Carl Jung

