Eis o regresso à cena do crime, ou melhor, à bomba de gasolina, aquele local onde a carteira faz um "poupança zero" em tempo recorde. Depois da primeira incursão no humor negro dos combustíveis, eis que surge a sequela, e sim, mantém o ritmo de assalto. Neste autocolante em vinil, de um preto (ou branco) chapado que garante que a mensagem se destaca no fundo onde ele é aplicado, vemos a clássica silhueta de uma bomba de combustível. Até aqui, tudo normal, quase bucólico...
A reviravolta, porém, não se faz esperar: a agulheta, qual arma apontada, dirige-se a uma figura humana que já está de braços no ar. Não é um assalto à mão armada tradicional, é um "assalto à agulheta armada", onde a violência reside na fatura. As riscas irradiantes por cima da cabeça da vítima de vinil denunciam o choque, a surpresa, a indignação – talvez até uma pontinha de comédia existencial perante a inevitabilidade do custo. É a expressão universal de quem olha para o mostrador e se apercebe que a gasolina, mais do que motor, é um imposto sobre a liberdade de circulação. Uma peça visual que, com a sua simplicidade gráfica, acerta em cheio na irritação partilhada por quem conduz...
"O litro de gasolina subiu. Mais uma vez..." – Anónimo