Este autocolante em vinil opera no território da semiótica de guerrilha, um trocadilho visual que é simultaneamente um gracejo e um ato de subversão. A silhueta icónica de uma bomba de queda livre, reminiscente da iconografia da Segunda Guerra Mundial, serve de invólucro para a expressão "F BOMB". A composição é de uma simplicidade brutal: a letra "F" posicionada como a ogiva e a palavra "BOMB" a constituir o corpo do projétil, numa fonte de estilo stencil militar que reforça a analogia bélica.
A peça explora a hipocrisia de uma cultura que se tornou dessensibilizada à violência real, mas que permanece performativamente chocada pela transgressão verbal. A "F-Bomb" — a bomba da f*d* — é a designação coloquial para o uso do mais célebre dos palavrões, uma palavra tratada como um explosivo social, capaz de romper o tecido da civilidade. Ao materializar esta metáfora, o design expõe o absurdo da nossa hierarquia de ofensas. Coloca a questão: o que é verdadeiramente mais destrutivo, um vocábulo ou um engenho de morte?
Numa sociedade saturada de imagens de conflito, filtradas e higienizadas pelos noticiários, este decalque funciona como um corretivo satírico. É um memento mori linguístico que nos recorda o poder que atribuímos às palavras, transformando-as em armas enquanto normalizamos os instrumentos de guerra. Aplicado ao vidro de um automóvel, torna-se uma insígnia de descontentamento, uma pequena detonação de honestidade brutal no trânsito polido e silenciosamente agressivo do quotidiano. É a verbalização de uma frustração que, aqui, assume uma forma literalmente explosiva...
"A guerra é paz. A liberdade é escravidão. A ignorância é força." — George Orwell, "1984"