O ícone supremo do "Sonho Americano", aqui reduzido à sua mais pura essência gráfica e, de forma um tanto ou quanto irónica, confinado à parede de um quarto. O que temos aqui é uma reinterpretação astuta de um dos monumentos mais reconhecíveis do planeta. Apresentada como uma silhueta de vinil preto, a figura de Lady Liberty mantém a sua pose icónica – a tocha erguida, símbolo de iluminação, e a coroa de sete pontas, representando os sete continentes e mares.
Onde deveria estar o pedestal de granito maciço, encontramos algo muito mais volátil e, talvez, mais honesto: a silhueta inconfundível do skyline de Nova Iorque. Esta fusão visual é brilhante na sua simplicidade. Sugere, de forma inequívoca, que o ideal de liberdade não flutua etereamente numa ilha isolada, mas está intrinsecamente construído sobre a base – caótica, comercial, implacável e vibrante – da própria metrópole. A Liberdade, neste caso, não é um presente dos deuses, mas um produto da selva de betão que se ergue aos seus pés.
Este autocolante transforma um símbolo universal num comentário visual. É a admissão de que o ideal se apoia no pragmático, o monumento no comercial. Ao trazê-la para dentro de casa, para o espaço íntimo de um quarto, domesticamos a sua grandiosidade, transformando-a num recordar pessoal de uma ambição, de uma viagem de sonho ou, simplesmente, num ícone pop desprovido do seu peso histórico...
"A cidade é um facto, como uma rocha, mas é também uma obra de arte." – Lewis Mumford