Esta peça aborda um dos mais universais ícones — o coração — e submete-o a um processo de transfiguração geométrica. A sua forma suave e universalmente reconhecida, símbolo máximo da emoção, do amor e da vida, é aqui deliberadamente fraturada e reconstruída como uma malha de polígonos, transformando o epicentro do sentimento numa estrutura cristalina.
A iconografia do coração está intrinsecamente ligada à vulnerabilidade e à paixão. Este design, no entanto, reinterpreta essa tradição. Ao impor uma lógica de engenharia sobre a forma orgânica, a estrutura poligonal confere-lhe uma resiliência inesperada, como se o coração, apesar da sua natureza frágil, fosse também uma fortaleza geodésica, uma rede de conexões que lhe outorga uma força inquebrantável. As linhas não apagam a emoção, mas revelam a sua arquitetura.
Não se trata, portanto, de um coração que se sente, mas de um coração que se analisa. A sua anatomia emocional é exposta, revelando a complexa engenharia que pode subjazer ao afeto. A obra torna-se, assim, um paradoxo visual: um emblema da lógica imposto sobre o símbolo do ilógico, sugerindo que talvez a emoção mais profunda possua a sua própria e inquebrantável estrutura...
“O coração tem razões que a própria razão desconhece.” — Blaise Pascal