Num universo saturado pelos autocolantes “Bebé a Bordo”, que transformaram a traseira de muitos automóveis num apelo à condução defensiva, surgem derivações que substituem o passageiro infantil por outras prioridades afetivas. Esta peça é um desses descendentes diretos, mas com uma sofisticação semântica que merece atenção.. :)
O design apropria-se da linguagem dos pictogramas, reduzindo os ocupantes do veículo a silhuetas universais. À esquerda, o condutor. À direita, o copiloto, identificado não por outros traços caninos óbvios, mas por duas orelhas longas que lhe despontam da cabeça. É um código interno, uma piscadela de olho a quem partilha o mesmo afeto pelos seus animais...
A mensagem verbal, “Copiloto K9 a Bordo”, eleva a composição. O termo ‘K9’, um homófono da palavra inglesa ‘canine’ (canino), tornou-se um código universal, frequentemente associado a unidades policiais ou militares. A escolha de uma tipografia stencil, robusta e de inspiração militar, reforça essa conotação de seriedade e profissionalismo. É nesta colisão de universos que o autocolante revela a sua subtileza: a linguagem formal e quase tática do texto contrasta com a representação afetuosa e informal do ‘copiloto’. O cão não é apenas um passageiro; é um membro da tripulação com estatuto oficial, um parceiro de viagem cuja presença é declarada com um misto de orgulho e humor técnico... :)
“Os cães são o nosso elo com o paraíso.” — Milan Kundera

