Aí está ele, o amor dos nossos tempos. Não, não é um daqueles reality shows deprimentes sobre pessoas que se conhecem na net e descobrem que afinal o que procuravam era um tanque de gasolina cheio. É mais profundo, mais visceral, e decididamente mais caro. Este autocolante em vinil, com um design simples e direto, consegue encapsular a relação simbiótica – quase tóxica – entre o condutor e a bomba de combustível.
A peça, em vinil branco (ou preto) puro, apresenta o ícone universal de uma bomba de gasolina, com o indispensável bico, e, num gesto de ironia suprema, um coração no topo do contador. Logo abaixo, as icónicas letras "BFF", ou "Best Friends Forever", para os menos familiarizados com a gíria adolescente que agora se aplica à nossa carteira. É uma declaração de amor incondicional, ou talvez de resignação abjeta, afixada com orgulho no vidro traseiro de um veículo que parece já ter visto alguns (muitos) quilómetros e alguns (ainda mais) reabastecimentos.
O humor aqui é negro, inteligente, e ressoa com qualquer um que tenha acompanhado os noticiários dos últimos anos. Este não é apenas um autocolante; é um comentário social. É a admissão pública de que, sim, o seu carro é o seu melhor amigo. Aquele que, sem hesitação, drena os seus recursos financeiros com uma regularidade alarmante, mas que, ao mesmo tempo, lhe permite a liberdade de ir a qualquer lado. É a dependência disfarçada de afeto, a escravatura moderna com rodas e um depósito insaciável. Quem diria que uma bomba de gasolina, um objeto de puro utilitarismo e de ansiedade fiscal, podia ser o símbolo de um amor tão profundo, ou tão desesperado? É a prova de que o amor, afinal, não é cego; é apenas excessivamente caro...
"O amor é uma doença mental grave." – Platão