O punho cerrado não empunha uma ferramenta, mas duas, fundidas numa só entidade simbólica. De um lado, a chave de bocas, o emblema do trabalho manual, da oficina, da força que transforma a matéria. Do outro, o lápis, o instrumento do conhecimento, do projeto, da ideia que precede a ação. A imagem é um meio de expressão que recusa a divisão artificial entre o colarinho azul e o colarinho branco, entre o músculo e o cérebro.
O traço, deliberadamente grosseiro e a escorrer, como tinta fresca de um stencil, confere à imagem uma urgência visceral, tirando-a do conforto do design gráfico e atirando-a para o território da intervenção urbana. Esta não é uma imagem passiva; é uma convocatória. A mensagem, "Aprende, Trabalha e Luta", não é apenas um título; é o programa que a imagem ilustra. "Aprende" com o lápis, "Trabalha" com a chave e "Luta" com o punho que une os dois. É um símbolo de uma nova consciência operária, ou talvez da mais antiga de todas: a de que o conhecimento sem aplicação é estéril, e o trabalho sem consciência é apenas servidão. Uma peça que ficaria perfeitamente à vontade colada na parede de uma fábrica abandonada ou na porta de um atelier de design...
"Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e lhe chama mentira, esse é um criminoso." — Bertolt Brecht