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Robôs humanoides realizam cirurgia ao vivo pela primeira vez, mostra estudo na Nature

Robôs humanoides realizam cirurgia ao vivo pela primeira vez, mostra estudo na Nature

Publicado em 13/07/2026 17:35 | Categorias: Artigos

Uma equipa de engenheiros e cirurgiões da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego) demonstrou pela primeira vez que robôs humanoides teleoperados conseguem realizar cirurgias em animais vivos, segundo um estudo publicado a 8 de julho de 2026 na revista Nature. O trabalho avalia de forma sistemática a viabilidade da tecnologia humanoide actual para tarefas de cirurgia laparoscópica minimamente invasiva, um domínio historicamente dominado por plataformas dedicadas como o sistema da Vinci da Intuitive Surgical.

O contexto motivador é a escassez de pessoal clínico e o aumento da procura por cuidados de saúde, que alargam o fosso entre a carga de trabalho hospitalar e a mão de obra qualificada disponível. Embora a automação atual se tenha focado sobretudo em tarefas digitais e logísticas, grande parte do trabalho hospitalar é corporizado, exigindo mobilidade, manipulação e interação segura em ambientes desenhados para humanos.

O formato humanoide oferece um potencial único precisamente por poder atuar nesses ambientes: ao contrário dos sistemas robóticos de função única, um robô com forma e destreza humanas pode, em princípio, ser adaptado a uma vasta gama de procedimentos e tarefas gerais. É essa versatilidade que os investigadores querem testar face aos rigorosos requisitos de precisão, controlo e segurança da cirurgia minimamente invasiva.

Para o efeito, a equipa desenvolveu um enquadramento de teleoperação laparoscópica baseada em humanoides, utilizando instrumentos de uso geral em vez de ferramentas proprietárias de plataformas fechadas. O sistema permite que um cirurgião humano controle o robô à distância, combinando a destreza taxonómica da máquina com o julgamento clínico de um operador experiente.

A avaliação foi construída em três frentes complementares. Primeiro, uma caracterização de bancada (benchtop) do espaço de trabalho e do seguimento de comandos; segundo, estudos em laboratório seco (dry-lab) com utilizadores de níveis de experiência cirúrgica diversos; e terceiro, estudos in vivo em suínos, o passo mais exigente e próximo da prática clínica real.

No estudo com animais vivos, o robô realizou uma colecistectomia (a remoção da vesícula biliar) com retração de tecido, dissecção, clipagem e extração da vesícula do leito hepático. Num dos procedimentos, um robô humanoide e um cirurgião humano a atuar como assistente completaram a cirurgia em equipa; noutro, dois robôs operaram lado a lado, sem qualquer humano à mesa operatória.

Os investigadores concluíram que uma cirurgia realizada por um humanoide teleoperado é tão precisa quanto uma efectuada com um sistema robótico cirúrgico teleoperado especializado, um resultado que valida a hipótese de que o formato humanoide já pode aproximar-se dos patamares exigidos pela laparoscopia. Shanglei Liu, cirurgião e autor sénior que teleoperou o robô, destacou essa equivalência de precisão.

Apesar do marco, o estudo é explícito quanto às limitações e aos desafios técnicos que ainda têm de ser resolvidos antes de qualquer implantação clínica. Questões de segurança, fiabilidade em situações imprevistas, validação regulatória e a transição de ensaios pré-clínicos em animais para uso humano permanecem abertas e exigirão trabalho adicional substancial.

O mérito do trabalho reside em fornecer uma avaliação baseada em evidências das capacidades e limites atuais dos humanoides para aplicações cirúrgicas, em vez de meras demonstrações de conceito. Ao quantificar a viabilidade técnica, o desempenho em tarefas e a prontidão clínica relativamente a plataformas estabelecidas, o artigo cria uma linha de base rigorosa para progressos futuros.

Para além da cirurgia, o resultado sugere caminhos para a robótica corporizada na saúde, desde a assistência em blocos operatórios com escassez de pessoal até à padronização de tarefas repetitivas e de alta precisão. A teleoperação, em particular, permite colocar a perícia de um cirurgião ao alcance de locais sem especialistas presenciais.

O estudo enquadra-se numa tendência mais ampla que empurra os robôs humanoides de uma visão distante para uma implantação real a curto prazo, impulsionada por avanços em atuação, controlo e aprendizagem. A saúde é um dos domínios mais prementes, dada a pressão demográfica e operacional sobre os sistemas hospitalares.

Ainda assim, convém temperar o entusiasmo: trata-se de um ensaio pré-clínico, não de uma adoção hospitalar. A distância entre operar um porco sob supervisão e substituir ou auxiliar rotinas humanas em salas de bloco reais é considerável, e os autores sublinham que a prontidão clínica ainda não está atingida.

Se quiser saber mais, por favor visite : https://humanoid-surgeon.github.io/

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