OpenClaw e as recentes descobertas de malware em skills: o alerta de segurança que todos devem conhecer
OpenClaw e as recentes descobertas de malware em skills: o alerta de segurança que todos devem conhecer
O OpenClaw tem estado no centro de um intenso debate no universo da tecnologia e da segurança digital. Esta ferramenta de inteligência artificial, que ganhou enorme atenção por permitir automações avançadas através de skills desenvolvidas por terceiros, revelou um problema sério: uma fração preocupante dessas skills não só é maliciosa como está a ser utilizada como vetor de malware para comprometer sistemas e roubar dados sensíveis — conforme analisado por investigadores da Bitdefender Labs.
O OpenClaw apresenta-se como um agente de IA capaz de executar tarefas em nome do utilizador, automatizando rotinas que vão desde operações em carteiras de criptomoedas até à gestão de tarefas ou integração com redes sociais. O problema, como salientam os peritos, reside no facto de as skills que extendem estas capacidades serem muitas vezes abertas, com mecanismos de validação insuficientes — permitindo que agentes mal-intencionados criem pacotes que parecem legítimos mas escondem intenções prejudiciais.
Segundo a análise da Bitdefender, cerca de 17% das skills do OpenClaw verificadas em fevereiro de 2026 apresentavam comportamento malicioso. Estas skills maliciosas são camufladas com nomes e descrições parecidas com ferramentas úteis, facilitando a sua infiltração na lista de opções disponíveis. A estratégia de dissimulação é eficaz: em muitos casos, utilizadores menos experientes podem acreditar que estão a instalar uma extensão legítima quando, de facto, estão a introduzir malware no seu sistema.
A investigação identificou que a maioria destas ameaças está associada ao universo das criptomoedas, representando cerca de 54% das skills maliciosas. Dentro deste grupo, várias fingem ser ferramentas de monitorização de carteiras, integração com plataformas como Polymarket ou Solana, ou assistentes para carteiras populares como a Phantom Wallet, Ethereum e Bitcoin. Em segundo lugar, 24% das skills maliciosas visam automação em redes sociais, incluindo falsas ferramentas para YouTube e X (antigo Twitter).
Um aspecto particularmente alarmante dessas skills é o modo como muitas funcionam como portas de entrada para cargas maliciosas externas, ligando-se a servidores controlados por atacantes. Por exemplo, um endereço de IP em particular — 91.92.242.30 — foi mencionado em dezenas de scripts maliciosos usados para hospedar e distribuir código nocivo.
Em casos específicos, o pacote disfarçado de instalador para macOS continha um comando oculto que, após decifrado, descarregava um script remoto que instalava o AMOS Stealer, um malware desenhado para exfiltrar informações sensíveis como credenciais, dados de navegação e detalhes de carteiras de criptomoedas. Noutro exemplo, uma skill chamada “Base Trading Agent” prometia automatizar operações de DEX trading, mas a sua descrição incluía instruções suspeitas de download de ficheiros controlados externamente — algo incomum em extensões legítimas.
Face a este cenário, a Bitdefender recomenda que os utilizadores tratem a escolha de skills do OpenClaw com o mesmo nível de cautela que teriam ao instalar aplicações tradicionais. Cada extensão deve ser analisada de forma criteriosa antes de ser instalada, e opções que solicitam comandos externos ou downloads adicionais devem ser vistas com especial desconfiança.
Para ajudar a mitigar estes riscos, foi lançada a ferramenta Bitdefender AI Skills Checker, que verifica potenciais ameaças em skills disponíveis online, oferecendo aos utilizadores um apoio adicional na avaliação de segurança antes da instalação.
Em suma, a situação com o OpenClaw evidencia um problema crescente: a combinação de ecossistemas abertos para extensões de IA com mecanismos de validação fracos pode criar superfícies de ataque significativas. Para que ferramentas como o OpenClaw se tornem seguras e fiáveis, é crucial que tanto plataformas como utilizadores reconheçam estes riscos e adotem práticas de segurança mais rigorosas — pois a conveniência tecnológica não deve sobrepor-se à proteção de dados e sistemas.