A IA é o novo “momento COVID”? A aceleração exponencial que pode mudar tudo
A IA é o novo “momento COVID”? A aceleração exponencial que pode mudar tudo
Em Fevereiro de 2020, o mundo parecia estável. Os mercados estavam em alta, as escolas funcionavam normalmente e a maioria das pessoas via as notícias sobre um novo vírus como algo distante. Em poucas semanas, tudo mudou. É precisamente com esta analogia que começamos este post, inspirado num artigo viral de Matt Schumer, CEO da HyperWrite, e em que se defende a tese: o que está a acontecer com a inteligência artificial pode ser ainda maior do que a COVID.
Embora o próprio autor original reconheça que a comparação com a pandemia é algo dramática, até porque a COVID seguiu uma curva não exponencial infinita, o ponto central mantém-se: a maioria das pessoas não está preparada para a velocidade da transformação que aí vem.
O que mudou realmente?
Segundo Matt Schumer, muitos profissionais de tecnologia já não fazem o trabalho técnico propriamente dito. Em vez disso, descrevem em linguagem natural o que pretendem construir, e, a IA, entrega o resultado final, completo, funcional e muitas vezes melhor do que fariam manualmente. Muitos de nós já usámos ferramentas para construir websites, ferramentas de geração de thumbnails e sistemas de sugestão de títulos de vídeos com apenas um ou dois prompts, em poucas horas.
A grande diferença dos modelos mais recentes, como GPT-5.x Codex e Claude Opus 4.x, é que deixaram de apenas executar instruções. Começaram a demonstrar algo que se assemelha a julgamento, coerência e até “gosto”. Isto marca, segundo vários utilizadores avançados, uma mudança qualitativa.
A aceleração é mensurável
Dados da organização METR mostram que, desde 2022, o tempo de tarefas que a IA consegue executar autonomamente tem vindo a duplicar aproximadamente a cada sete meses. Em 2022, os modelos conseguiam realizar tarefas de segundos. Em 2023, minutos. Em 2024, dezenas de minutos. Em 2025, horas. Em 2026, já falamos de tarefas equivalentes a várias horas de trabalho especializado humano (e entenda-se... com tendência crescente).
E não se trata apenas de programação. O mesmo padrão de crescimento é observado em matemática avançada, análise científica, navegação em browsers, robótica simulada e interpretação de dados complexos.
A IA a construir a próxima IA
Um dos pontos mais inquietantes a destacar é o facto de os modelos mais recentes já estarem a ser utilizados para acelerar o seu próprio desenvolvimento. A OpenAI anunciou que versões iniciais do GPT-5.3 Codex foram usadas para depurar o seu próprio treino e implementação. A Anthropic afirmou igualmente que o Claude escreve grande parte do código interno da empresa.
Isto cria um ciclo de retroalimentação: modelos mais inteligentes escrevem melhor código, que permite criar modelos ainda mais inteligentes. Alguns investigadores referem-se a este fenómeno como “explosão de inteligência”.
Impacto no emprego: alarmismo ou realismo?
Dario Amodei, CEO da Anthropic, sugeriu que até 50% dos empregos de nível inicial poderão desaparecer, podendo o desemprego atingir 10% a 20%. Outros investigadores alertam para uma década potencialmente difícil para o trabalho de colarinho branco. Profissões como direito, finanças, engenharia de software, análise médica e criação de conteúdos já estão a sentir impacto directo.
Há, naturalmente, vozes mais moderadas que defendem que a transformação poderá decorrer ao longo de uma década, à semelhança da Internet, e não em dois ou três anos. Ainda assim, mesmo os cépticos admitem que a mudança é inevitável... divergem apenas no ritmo.
Um exercício inquietante
Neste, é proposto um cenário hipotético: imaginar um país com 50 milhões de “génios” mais inteligentes do que qualquer Nobel, capazes de pensar centenas de vezes mais rápido do que humanos e sem necessidade de descanso. Como reagiriam os governos? Que riscos emergiriam em termos económicos, militares e sociais?
O potencial é extraordinário, a compressão de décadas de investigação médica em poucos anos, avanços no combate ao cancro ou Alzheimer, mas os riscos também são reais: manipulação, desinformação, instabilidade económica e concentração de poder.
O que fazer agora?
A mensagem final é pragmática: independentemente de o impacto total ocorrer em dois ou dez anos, a ação recomendada é a mesma. Começar já a usar as versões mais avançadas das ferramentas de IA. Não como "motor de pesquisa", mas como um colaborador activo. Testar limites. Construir soluções. Automatizar processos. Experimentar diariamente...
A maior vantagem competitiva neste momento é simplesmente atuar cedo. Quem compreender e dominar estas ferramentas agora estará anos à frente da maioria.
Conclusão
Tal como em Fevereiro de 2020, muitos continuam a minimizar os sinais. A comparação com a COVID pode ser imperfeita, mas serve perfeitamente como alerta: mudanças exponenciais parecem lentas até deixarem de o ser. A inteligência artificial pode não “explodir” de um dia para o outro, mas tudo indica que estamos muito próximos de um ponto de inflexão histórico.
Ignorar por princípio pode ser confortável. Mas, estrategicamente, pode ser um erro... e certamente será!
